quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Meus oito anos...



Hoje remexendo num baú de fotos, de repente me vi novamente com oito anos. Deu uma saudade boa, da infância em Volta Grande-MG( onde morava) e em Trimonte- MG( onde ficava a fazenda Morro Alegre), onde passei grande parte da infância junto aos meus avós  e padrinhos Sebastião  e Leonor  e às dezenas de primos, de várias idades, uma vez que éramos em 58 netos. Esta foto,onde tenho exatamente oito anos, foi tirada numa festa na fazenda, cujo fotógrafo era  meu primo Alcides de Castro Côrtes, filho da minha tia querida Antônia de Castro Côrtes       ( tia Nini). Que bom poder ter vivido uma infância tão boa assim! E para relembrar, escolhi um poema do Casimiro de Abreu, que a gente aprendia no grupo escolar: 


Meus oito anos

Casimiro de Abreu

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Como são belos os dias
Do despontar da existência!
— Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é — lago sereno,
O céu — um manto azulado,
O mundo — um sonho dourado,
A vida — um hino d'amor!

Que aurora, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!

Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minhã irmã!

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberta o peito,
— Pés descalços, braços nus —
Correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo.
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
— Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
A sombra das bananeiras
Debaixo dos laranjais!







Nenhum comentário:

Postar um comentário