terça-feira, 20 de março de 2018

Facebook é abalado por escândalo de vazamento de dados pessoais

O Facebook está no centro de um escândalo que pode ameaçar até mesmo seu modelo comercial, após ser revelado que uma empresa britânica ligada à campanha de Donald Trump usou dados pessoais de milhões de usuários.
A ação do Facebook recuou 6,8% na sessão desta segunda-feira, em Wall Street.
A notícia de que a empresa britânica Cambridge Analytica (CA), especializada em comunicação estratégica, tinha usado dados de 50 milhões de usuários do Facebook para desenvolver um software que prevê e influencia eleitores gerou protestos dos dois lados do Atlântico.
A senadora democrata Amy Klobuchar e o republicano John Kennedy pediram que o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, compareça ao Congresso, do mesmo modo que os diretores executivos de Google e Twitter. 
Os dois legisladores consideram que tais empresas "acumularam quantidades de dados pessoais sem  precedentes" e que a falta de supervisão "gera preocupações sobre a integridade das eleições americanas, assim como sobre os direitos à privacidade".
"Esta é uma grande violação (de dados) que precisa ser investigada, e é óbvio que essas plataformas não podem se autorregular", disse a senadora Klobuchar, que acredita que Zuckerberg deve ir ao Congresso explicar o ocorrido. 
O senador Ron Wyden pediu ao Facebook que forneça mais informação sobre o que chamou de "preocupante" uso de dados privados para influenciar os eleitores.
A comissária europeia de Justiça, Consumidores e Igualdade de Gênero, Vera Jourova, disse que o uso indevido dos dados do Facebook por parte de uma empresa política seria "horrível", e anunciou que tratará do tema nesta semana em Washington.
No Reino Unido, o parlamentar Damian Collins, presidente da comissão que trata de assuntos digitais, também disse que Facebook e CA terão que se explicar. 
A conta da CA no Facebook foi suspensa, anunciou a rede social.
Facebook, mas também Twitter e Google, são acusadas há meses de servir como plataformas para manipular a opinião pública, particularmente por entidades vinculadas à Rússia durante a campanha presidencial americana, ou o referendo do Brexit em 2016.
A investigação conjunta do The New York Times e do The Observer indicou que a CA conseguiu criar perfis psicológicos de 50 milhões de usuários do Facebook usando um aplicativo de previsão de personalidade que foi baixado por 270.000 pessoas, mas também coletou dados de amigos da usuários.
A CA negou qualquer uso indevido de dados. O Facebook suspendeu a conta da empresa na sexta-feira, mas negou que fosse uma grande violação de dados, sugerindo que o problema afetaria um número muito menor de usuários.
O Facebook anunciou nesta segunda-feira que contratou a empresa Stroz Friedberg para realizar uma "auditoria abrangente" da CA. 
Já a CA desmentiu as acusações. "Os dados do Facebook não foram utilizados pela Cambridge Analytica no âmbito dos serviços oferecidos na campanha presidencial de Donald Trump" e "nenhuma publicidade dirigida" foi realizada "para esse cliente", disse a empresa nesta segunda-feira.
A empresa foi financiada com 15 milhões de dólares por Robert Mercer, um empresário americano que fez sua fortuna em "fundos abutre" e é um dos principais doadores do Partido Republicano.
"Grande impacto" 
Para alguns analistas, isto representa uma crise existencial para o Facebook devido ao modo como reúne e utiliza dados sobre seus 2 bilhões de usuários.
"Que o Facebook não perceba a diferença entre vender sapatos e vender um programa presidencial é um  grande problema", disse Daniel Kreiss, professor de meios e comunicação da Universidade da Carolina do Norte.
Jennifer Grygiel, especialista em redes sociais da Universidade de Syracuse, avaliou que as revelações aumentarão a pressão para regular o Facebook e outras redes sociais, atualmente em xeque por permitir a propagação de desinformação por parte de fontes orientadas pela Rússia. 
"A autorregulamentação não está funcionando. Me pergunto quanto deve piorar até que nossos reguladores intervenham e façam as companhias responsáveis.
Neste contexto, o chefe da segurança do Facebook, Alex Stamos, admitiu uma mudança de suas funções, mas desmentiu sua saída da empresa, como anunciou o NYT.

Presidente palestino chama embaixador americano de 'filho de cadela'


Agência AFP
O presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, classificou nesta segunda-feira como "filho de uma cadela" o embaixador dos Estados Unidos em Israel, David Friedman, que a Casa Branca criticou por considerá-los "inadequados".
"O embaixador dos Estados Unidos em Tel Aviv é um colono e o filho de uma cadela", afirmou Abbas, durante uma reunião com líderes palestinos em Ramallah.
A troca de declarações acontece em um momento em que cresce a tensão entre a dirigência palestina e o governo do presidente Donald Trump. 
David Friedman assumiu a embaixada em maio de 2017, precedido pela polêmica devido à postura favorável à colonização  implementada por Israel nos territórios palestinos.
Ele é também um fervoroso defensor do reconhecimento de Jerusalém como capital e do traslado da embaixada dos Estados Unidos a essa cidade.
Em Washington, o conselheiro da Casa Branca Jason Greenblatt reagiu aos "insultos" declarando que "chegou a hora de o presidente Abbas escolher entre a retórica do ódio e a realização de esforços para melhorar a qualidade de vida de seu povo e liderá-lo no caminho da paz e da prosperidade".
"Apesar de seus insultos altamente inadequados contra os membros do governo de Trump e a repetição mais recente de seu insulto a meu bom amigo e colega, o embaixador Friedman, estamos comprometidos com o povo palestino e com as mudanças que devem ser implementadas para a convivência", acrescentou.
Friedman, um judeu praticante, sugeriu que as declarações de Abbas têm uma conotação antissemita. 
"Sua resposta foi se referir a mim como um filho de uma cadela. Isto é um discurso político ou antissemitismo? Vocês decidem". 
As relações entre o governo de Abbas e a administração Trump atravessam um de seus piores momentos desde que em 6 de dezembro passado a Casa Branca anunciou o reconhecimento de Jerusalém e a transferência da embaixada.
No mesmo discurso, Abbas acusou o movimento islâmico Hamas de estar diretamente envolvido no atentado a bomba da semana passada contra o primeiro-ministro da Autoridade Palestina, Rami Hamdallah, e  anunciou futuras sanções contra o grupo.
O comboio de Hamdallah foi alvo de um atentado em 13 de março, durante uma visita do premier à Faixa de Gaza, governada pelo Hamas. Hamdallah saiu ileso.
O Hamas está "por trás do atentado", que se tivesse alcançado seu objetivo teria "aberto o caminho para uma guerra civil sangrenta" entre organizações palestinas.